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sábado, 8 de agosto de 2026

Três Homens-Aranhas, uma voz para cada geração: Kenko Festival reúne dubladores em encontro especial com a imprensa

Manolo Rey, Sérgio Cantú e Wirley Contaifer falaram sobre suas experiências como as vozes brasileiras de Tobey Maguire, Andrew Garfield e Tom Holland; Gabriel Verta e Muca Muriçoca também foram destaques da programação

O Kenko Festival 2026 transformou a Mooca, em São Paulo, em ponto de encontro para fãs de anime, games, cosplay, cultura japonesa e, principalmente, grandes nomes da cultura pop. Entre as atrações que mais chamaram a atenção durante a quinta edição do evento esteve uma coletiva de imprensa que reuniu três vozes que, para muitos fãs brasileiros, ajudaram a construir diferentes gerações do Homem-Aranha.

De um lado estava Manolo Rey, voz brasileira associada ao Homem-Aranha de Tobey Maguire. Ao lado dele, Sérgio Cantú, responsável pela voz brasileira do personagem vivido por Andrew Garfield. Completando o trio, Wirley Contaifer, a voz de Tom Holland na versão brasileira.

A reunião dos três não foi apenas uma oportunidade para falar sobre dublagem. Foi também um encontro simbólico entre três versões do mesmo herói que marcaram épocas diferentes do cinema.

Três vozes, três gerações de Peter Parker

Para o público brasileiro, a voz também faz parte da identidade de um personagem.

Manolo Rey acompanhou uma geração que conheceu o Homem-Aranha através dos filmes protagonizados por Tobey Maguire. Sérgio Cantú passou a representar a versão de Andrew Garfield, enquanto Wirley Contaifer assumiu a responsabilidade de dar voz ao Peter Parker interpretado por Tom Holland.

A importância desse encontro ficou ainda maior depois de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, filme que colocou as três versões de Peter Parker na mesma história. Na dublagem brasileira, o longa reuniu justamente Manolo Rey, Sérgio Cantú e Wirley Contaifer nos respectivos personagens.

O resultado foi uma situação rara: três atores de uma mesma franquia, separados por diferentes fases do cinema, compartilhando o mesmo universo e, consequentemente, o mesmo trabalho de dublagem.

Mais do que três profissionais falando sobre seus personagens, o encontro representou uma espécie de passagem de bastão entre gerações.

Manolo Rey: a voz que ajudou a definir o Homem-Aranha



Para muitos fãs, ouvir Manolo Rey é imediatamente lembrar do Homem-Aranha de Tobey Maguire. Na foto é o dublador mais velho, o do meio da foto.

O trabalho do dublador se tornou uma das referências mais reconhecidas do personagem no Brasil e ajudou a estabelecer uma personalidade vocal para aquele Peter Parker.

No encontro do Kenko Festival, sua presença também carregou um elemento de nostalgia. Afinal, a versão de Tobey Maguire foi responsável por apresentar o personagem a uma enorme parcela do público brasileiro que cresceu acompanhando a trilogia iniciada em 2002.

Manolo também possui uma relação especial com os outros dois profissionais. Em entrevista anterior, Wirley Contaifer revelou que foi justamente Manolo Rey quem sugeriu seu nome a Sérgio Cantú para a nova geração do personagem.

A história mostra que a ligação entre os três vai muito além de simplesmente dividirem o mesmo personagem.

Sérgio Cantú e o Homem-Aranha de Andrew Garfield



Sérgio Cantú representa outra fase do herói. Na foto é o primeiro do sentido esquerda pra direita. Sua voz ficou associada ao Peter Parker interpretado por Andrew Garfield, protagonista de O Espetacular Homem-Aranha e sua continuação.

A participação de Cantú na coletiva permitiu relembrar uma versão do personagem que conquistou seu próprio público e que, anos depois, voltou a ganhar destaque justamente por causa do retorno de Garfield ao papel.

A presença dos três dubladores no mesmo espaço tornou possível enxergar a evolução do personagem de uma maneira diferente: não apenas pelos atores que vestiram o uniforme, mas também pelas vozes que ajudaram a transportá-los para o público brasileiro.

Wirley Contaifer e a nova geração



Representando a geração mais recente estava Wirley Contaifer, responsável pela voz brasileira de Tom Holland. Na foto é o rapaz de boné.

A chegada de Holland trouxe um Peter Parker mais jovem para o Universo Cinematográfico Marvel, e Wirley precisou construir uma interpretação vocal que acompanhasse essa característica.

O próprio dublador já falou sobre a responsabilidade de assumir o personagem depois de Manolo Rey e Sérgio Cantú, reconhecendo a influência dos dois profissionais em sua trajetória como Homem-Aranha.

A presença de Wirley ao lado dos dois colegas durante a coletiva reforçou justamente essa ideia de continuidade.

Três atores interpretaram Peter Parker em diferentes momentos. Três dubladores ajudaram o público brasileiro a reconhecer essas versões.

E, no Kenko Festival, essas três vozes finalmente estavam reunidas diante dos fãs.

Do Aranhaverso para o universo de Gachiakuta



Se os três Homens-Aranhas representaram diferentes gerações de fãs de super-heróis, outro convidado levou o público para uma produção muito mais recente do universo dos animes.

Gabriel Verta, dublador brasileiro de Rudo Surebrec, protagonista de Gachiakuta, também esteve entre os destaques do festival.

O anime, baseado no mangá de Kei Urana e Hideyoshi Ando, acompanha Rudo, um jovem que é acusado injustamente de um crime e lançado no Abismo, onde precisa enfrentar criaturas e descobrir novos poderes.

Na versão brasileira, Gabriel Verta dá voz ao protagonista. A dublagem foi lançada simultaneamente à estreia do anime em 2025, com o elenco brasileiro anunciado pela Crunchyroll.

A participação de Gabriel ganhou um significado especial justamente porque Gachiakuta representa uma geração mais nova de fãs de anime.

Durante sua passagem pelo Kenko Festival, o dublador conversou com o público sobre seu trabalho e sobre a experiência de interpretar Rudo, personagem que rapidamente se tornou um dos destaques de sua carreira.

Para quem acompanha dublagem, Gabriel representa também uma nova geração de profissionais que vem conquistando espaço em grandes produções internacionais.

Muca Muriçoca leva humor e internet ao festival



Outro nome que movimentou o Kenko Festival foi Muca Muriçoca, conhecido por seu trabalho como criador de conteúdo e por sua presença em eventos voltados ao público geek.

Sua participação trouxe uma dinâmica diferente daquela apresentada pelos dubladores.

Enquanto a coletiva dos Homens-Aranhas e o encontro com Gabriel Verta aproximaram o público do universo da dublagem, Muca trouxe para o festival a força dos criadores de conteúdo e da cultura da internet.

Sua trajetória está diretamente ligada à popularização de vídeos produzidos em eventos e à interação espontânea com o público, característica que combina com a proposta do Kenko Festival de transformar o visitante em participante.

Um encontro que resume a proposta do Kenko



A diversidade desses convidados ajuda a explicar a proposta do Kenko Festival.

Em um mesmo evento foi possível encontrar três vozes responsáveis por diferentes gerações do Homem-Aranha, um dos protagonistas de um dos animes mais comentados da nova geração e um criador de conteúdo conhecido pelo público da internet.

São públicos diferentes, mas que acabam compartilhando o mesmo espaço.

O encontro dos três Homens-Aranhas talvez seja o melhor exemplo disso.

Manolo Rey representa a nostalgia de uma geração que cresceu com Tobey Maguire. Sérgio Cantú traz a lembrança da fase de Andrew Garfield. Wirley Contaifer representa a geração de Tom Holland.

E todos eles passaram a fazer parte da mesma história quando Sem Volta para Casa transformou o conceito de multiverso em realidade para os fãs.

Quando a voz também vira memória

Eventos como o Kenko Festival mostram que a cultura pop não é construída apenas por personagens, filmes, séries ou animes. Ela também é construída pelas vozes.

Para o público brasileiro, ouvir Manolo Rey, Sérgio Cantú e Wirley Contaifer juntos significa reencontrar três momentos diferentes de sua relação com o Homem-Aranha.

Ouvir Gabriel Verta falando sobre Rudo representa acompanhar o nascimento de uma nova conexão entre público e personagem.

E encontrar Muca Muriçoca representa reconhecer a importância que a internet e os criadores de conteúdo passaram a ter dentro desse universo.

No fim, a coletiva do Kenko Festival foi muito mais do que uma conversa com convidados.

Foi um encontro entre nostalgia, novas gerações, dublagem, anime e cultura digital.

E, por algumas horas, a Mooca ganhou seu próprio Aranhaverso — com direito a três Peter Parkers, uma nova geração de heróis e um público pronto para ouvir as histórias por trás das vozes que fizeram esses personagens chegarem até ele.

TEXTO: VALTER VIEIRA

FOTOS: DANIEL TOLEDO

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